Mais referências de cenografia, enviadas por e-mail por Fred Teixeira.
Chiharu Shiota é uma cenógrafa japonesa que mora na Alemanha. Abaixo, imagens de trabalhos seus de 2009:
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Mais referências de cenografia, enviadas por e-mail por Fred Teixeira.
Chiharu Shiota é uma cenógrafa japonesa que mora na Alemanha. Abaixo, imagens de trabalhos seus de 2009:
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Hoje lemos um lindo texto de Górki (escritor, dramaturgo e ativista político russo) onde ele fala sobre sua convivência e amizade com Tólstói, Anton Tchékov e Andrêiev. No livro, conta anedotas engraçadas sobre Tchékov e descreve o enterro de seu amigo escritor de forma emocionante.
Selecionamos alguns trechos:
Sobre Tchékov:
“ Parece- me que na presença de Anton Pávlovitch, qualquer pessoa tinha o desejo involuntário se ser mais simples, mais sincera, de ser ela mesma, e observei mais de uma vez como as pessoas se despiam de seus variegados trajes de frases livrescas, palavras em voga e outros adornos baratos com os quais o homem russo, querendo se mostrar europeizado, enfeita-se como um selvagem o faz com conchas, dentes de peixe. Anton Pávlovitch não gostava de dentes de peixe nem de plumagens de galo. Tudo que era variegado, tilintante e de origem alheia, usado para adqirir uma ‘importância maior’, deixava-o aflito, e notei que toda vez, vendo diante de si um homem ataviado, era dominado pelo desejo de despojá-lo desse pesado e inútil ouropel que desfigura a face verdadeira e a face viva do interlocutor.”
Tchékov fala sobre o homem russo. (para Ivánov)
” – O homem russo é uma criatura estranha! Nele, nada fica retido, como numa peneira. Quando jovem, enche avidamente a alma com tudo o aparece pela frente, e depois de completar trinta anos, só lhe restam uns trajes cinzentos. Para viver bem, com humanidade, é preciso trabalhar! Trabalhar com amor, com fé. E nós não sabemos fazer isso (…)”
Para Sasha:
“Saber amar, significa saber fazer tudo…”
E fala sobre o homem honesto:
“Na rússia, uma pessoa honesta é como um limpador de chaminés, cuja imagem as babás usam para assustar criancinhas…”
Contos de Tchékov citados por Górki no texto:
“O malfeitor”
“A filha de Albion”
“Queridinha”
“A estipe”
——–
*Extraído do livro “Três Russos e como me tornei escritor”
Autor: Máximo Górki
Editora: Martins Fontes
Troca de e-mails entre Fran Teixeira e Diogo Costa (figurinista) a respeito da concepção atual do espetáculo e idéias de figurino:
oi diogo,
vou tentar descrever um pouco o que estamos fazendo.
o texto tem muitos personagens e diversas situações/cenas que foram cortadas. o foco é na relação Ivanov-Lvov-Anna-Sacha.
Edivaldo é Ivanov, o intelectual frustrado que vive em uma propriedade rural falida e que há cinco anos era outro homem. uma profunda melancolia, as dividas, a doença da mulher o deixou cada vez mais menos esperançoso. tem 35 anos.
Luiza é Anna, a esposa judia de Ivanov. mulher fina, pianista, deixou tudo para viver com ele, inclusive familia e religião. está tuberculosa e vai morrer logo. deve ter uns 30 anos.
Lvov é feito pelo Levy. é um médico jovem, que tem a tarefa de desmascarar Ivanov e torna-se extremamente rigido e inoportuno. não tem coragem para falar, precipita-se no que diz e em como ataca. deve ter uns 25 anos.
Sacha é feita por Aline. é jovem, bem mais jovem que Anna, ama ivanov desesperadamente, como um amor de infância. é ingenua, corajosa, como uma heroina, mas ainda confunde amor com uma tarefa a ser cumprida. deve ter uns 20 anos.
Borkin é Bruno, o empregado de Ivanov: inconveniente, rude, deselegante. penso em suspensórios para ele. Loreta vai fazer Gravila, o mordono sem face dos liebedev.
Queria fazer uma fusão de períodos, deixando algumas marcas desse ambiente rural e do século XIX impressas neles, mas sem a preocupação de retratar um período. gosto de pensar em Ivanov usando um óculos tipo pince-nez, de Anna com transparências esvoaçantes, de Lvov de linho e de Sacha com tranças.
mas nõo tenho ainda definido uma cara para cada um. penso em usar materiais muito bonitos e bons, como seda e linho e estampas/cores também.
a cenografia deve trazer muita madeira, mas em um desenho contemporâneo.
fazemos interferências narrativas e episódios de dança que tem base em uma apropriação livre de técnicas de contato improvisação. então assim, surgem inesperadamente, imagens no espetáculo que se sobrepõem ao texto e a fala naturalista. A interpretação é dividida com a noção de presença mesmo e olhar direto para a plateia, criando um jogo de sobreposição das situações representação/presença em camadas.
Será para poucos espectadores por sessão, cerca de 40/60. próximos, em uma espécie de arquibancada, para que os atores não falem alto e para que possamos criar intimidade.
bj
fran
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ok, franzinha
estou gostando de tudo. pelas referências não tinha como não pensar em materiais mais finos. estou sacando que é chique, mesmo que falido, nosso caminho.
também acho que não precisamos datar no século xix, mas que tenha uma cara “de época” acho lindo.
do elenco acho que só não conheço o bruno, os outros conheço e adoro todos. a anna só conheço de vista, mas gosto.
bom, vamos falando.
beijo
diogo
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querido,
sim tem uma atmosfera decadente, mas pensando que são de uma aristocracia rural, entãao acho que tem bordado manual, tem renda, e os tecidos finos, as estampas coloridas. nada em excesso, só o suficente para percebermos as posses materiais, são velhos, então, não puderam ser renovados. as marcas do pó que vc viu no butoh podemos trazer para livros empoeirados, pra mesa, poltrona, alguma sujeira no empregado Borkin, a gente até tinha pensado que o Borkin pode sempre ir sujando o Ivanov nos seus contatos inconvenientes.
chapéu não pensei nenhum, mas pode ser para o médico e para Luisa quando saem atrás do Ivanov no segundo ato. para essa roupa de sair dela pensei numa espécie de bolero sem mangas, sabe, uma coisa quentinha, que joga assim por cima do ombro e abotoa na frente. pensei em repetirmos a fórmula do quanto custa o ferro e pensarmos em figurinos inteligentes, com sobreposiçã0 a partir de peças básicas, o que da agilidade aos atores.
De alguns adereços sinto falta já: os óculos do Ivanov, os charutos do Borkin, as flores que Sacha traz. o Fred até me falou de óculos ótimos de tartaturga em sp, mas é foda comprar porque precisava ver como cairiam no rosto do Edivaldo antes. ainda penso nesse tipo pince-nez, mas com hastes, algo bem pequenininho mesmo.
sim, tem uma coisa importante: é rússia e tal mas não gosto da idéia de usar roupa de frio muito carregada. primeiro porque eles estão sempre dentro de casa, depois porque acho meio cafona mesmo essa coisa de pele, sobretudo, cachecol demais.
o que temos percebido é que temos texto demais. disso não podemos abrir mão. É o Tchekhov. então, que ele, o texto, ganhe mais espaço que a roupa, os elementos de cena, o cenário. a presença dos atores e a música também tem muita força e é com esses elementos que espero poder diálogar com o texto, sem deixar sobressair o que os da suporte, como a roupa e o cenário.
os atores vão movimentar o cenário dentro do possível e vão usar máscaras na festa de aniversário do segundo ato. talvez retornem no quarto ato assim, mas ainda não decidimos.
as máscaras que pensei são como cabeças de manequins. não sei se é possível obter máscaras inteiras disso, acho que um bom artesão pode fazer. talvez precise ainda de uns quatro manequins inteiros.
o Gavrila, o mordomo, que vai ser feito pela loreta, deve ter a cabeça toda de manequim. vc conhece alguém que trabalhe com isso?
bj
Fran
Matéria sobre nova montagem inglesa, a partir de Tchekhov:
http://www.guardian.co.uk/culture/theatreblog/2010/nov/03/theatre-anton-chekhov-modern?ref=nf
E-mail de Bruno Lobo (ator convidado) para o grupo:
“gente não sei se vcs já viram
essa montagem do grupo truta
estreou no comecim desse ano
eles são de portugal
blog deles
http://truta-truta.blogspot.com/
sobre o espetáculo
http://ipsilon.publico.pt/teatro/entrevista.aspx?id=252912
vídeo
http://ipsilon.publico.pt/video/videos.aspx?id=634044687472267481
fotos


“
Fotografias de manequins enviadas por Fred Teixeira (cenógrafo), para referência de cenografia. A idéia é usar os manequins na cena da festa da Sacha, na casa dos Liebedev, 2° ato.


Fotografias de referência para a concepção cenográfica enviadas por Fred Teixeira (cenógrafo):








Vídeo-dança de Ricardo Salas, com Laura Álvarez e Germán Jauregui. Nos lembra Anna e Ivanov.