Temporada IVANOV – João Pessoa (PB)

5 jul

Temporada IVANOV – João Pessoa (PB)
Dias: 07, 08, 09, 10, 14, 15, 16 e 17 de Julho.
no Centro Cultural Piollin.
Sempre às 20h.
Ingressos: R$16/8

Hoje não tem.

25 jun

“Este cachorro está tão bem pintado…” T.

Ali, tão enexplicavelmente como havia aparecido, a familia sumia, deixando Ivanov sozinho no meio do cômodo. Estava suavemente mobiliado: uma poltrona branca, suja pelo uso, com cheiro de café, uma mesa e uma cadeira. Uma chama ardia. Sobre a mesa livros vermelhos, verdes e azuis. Uma receita para Ana. E com o corpo caído, terminava a primeira parte.

A quarta parte constituía, sozinha, quase quatro quintos da melancolia que me desordenava e mesmo assim, parecia desde logo, de precisar das outras partes. Mal começei a ver aquele lugar, tive uma sensação que me foi impossível definir com precisão. Era uma mistura de ações ora límpidas ora herméticas, rancorosas ou amorosas, fascinantes, labirínticas, oscilando sem parar entre uma violência alucinada e uma serinidade fabulosa, quase uma configuração confusa.

Mais de cem quadros estão reunidos numa única tela.

Hoje não tem teatro pois o teatro caiu.

Andréia Pires

O Tchékhov feminino do Teatro Máquina

24 jun

Em cartaz no Sesc Senac Iracema, Ivanov, do Grupo Teatro Máquina, surpreende pela expressividade dada aos tipos femininos da trama.

Jornal O Povo - 24.06.2011

Coluna Imagem & Movimento.

Por Magela Lima

Em tese, a peça é dele. Tem seu nome até. É assim que Ivanov, de Anton Tchékhov (1860-1904), entra em cena no Teatro Korsh, de Moscou, em 1887. Não é dessa forma, porém, que ela ocupa agora o Espaço Sesc Senac Iracema, em Fortaleza. Na versão do grupo Teatro Máquina, a dramaturgia encontra uma força surpreendente além da figura de seu personagem-título. Ivánov continua lá, conduzindo todo o drama com seu comportamento tortuoso, mas não reina só. Pelas mãos de Fran Teixeira e seu elenco, Ivanov bem que poderia ser Anna ou Sasha.

Cenário impecável, assinado por Frederico Teixeira – nada suntuoso, mas imponente, a primeira impressão da nova produção do Teatro Máquina é visual. Assim como em O Cantil, de 2008, fica evidente que há, também, uma leitura imagética da narrativa original. Afundado numa poltrona, Ivánov (Edivaldo Batista) lê. Surpreendido por Bórkin (Bruno Lobo), uma espécie de administrador de sua propriedade, o personagem se revela. Ivánov é nobre, homem de gestos delicados, mas extremamente rude. Ele tem uma aspereza de quem se desencantou pela vida. É cruel. Indiferente à dor do outro.

A peça corre normal. Edivaldo, ator mais antigo da companhia, único renascente do elenco de Quanto custa o ferro? (2003), primeira montagem do Teatro Máquina, é preciso na sua composição. Bruno Lobo segura bem o contraponto de cena. Até aí, nada surpreende. Quando, porém, Ana Luiza Rios irrompe, tudo se transforma. É a atriz, que dá vida a Anna, esposa de Ivánov, que, de fato, instaura a leitura que Fran Teixeira faz de Tchékhov. A princípio, tudo parece apontar para uma encenação dentro daquilo que se convencionou chamar de “teatro de atmosfera”, no qual a sugestão tem mais peso. Fran, no entanto, não sugere nada. As tensões de seu Ivanov são todas explícitas.

É nesse ponto, justamente, que o trabalho de Ana Luiza Rios merece uma atenção especial. Do modo como Fran Teixeira organizou o espetáculo, coube a ela o personagem mais desnudo. Quer por suas próprias ações, ou pelo embate entre os demais tipos, Anna é um livro aberto. Ela é toda verdade. Não tem segredos. De saúde frágil, ela sofre mais por desamor, sofre mais com a indiferença do marido, que pela tuberculose. E isso é dito o tempo todo, mesmo nos silêncios. Anna é uma mulher que ama. E é esse amor que faz dela uma protagonista.

Fran Teixeira, entretanto, lida com o amor de forma tão surpreendente, que subverte convenções. Quando a peça, por exemplo, introduz a juvenil Sasha, a amante de Ivánov vivida por Aline Silva, não cai sobre ela nenhuma carapuça de vilã. Como Anna, ela simplesmente ama. Ocasionalmente e fatalmente, o mesmo homem. Mas ama. O grande confronto que o Teatro Máquina põe em cena nesse novo espetáculo é o embate entre o afeto e o desafeto. Quem ama ou quem se permite amar no Ivanov de Fran Teixeira é pleno, radiante. Mesmo enganado ou condenado à morte. Quem não ama, porém, é envolto numa atmosfera obscura.

Interpretação

Para além desse desdobramento de enredo, a nova produção do Teatro Máquina chama atenção ainda por reposicionar o trabalho do grupo no que diz respeito à qualidade da atuação. Estudiosa aguerrida do Teatro Épico, Fran Teixeira dessa vez se permite experimentar com seu elenco outros sistemas de interpretação. Em Ivanov, a tese central do distanciamento é um tanto relativizada. De certa forma, há, sim, o interesse por fundir intérprete e personagem. Por outro lado, a direção cria conflitos muito ricos com as saídas e entradas de cena. Com as coxias sempre reveladas (elas também não têm segredos), a plateia acompanha os atores se metamorfoseando.Diferente do que fez em Leonce + Lena, peça de 2005, Fran Teixeira não assume na nova montagem o compromisso de estabelecer um plano narrativo num viés mais brechtiano. Em Ivanov, a encenação não abre veredas para que a história dos personagens seja contada. Tudo parece ser, de fato, vivido. Diante dessa novidade na trajetória do grupo, a surpresa sorri. Mais do que encontrar uma especialidade cômoda, o Teatro Máquina se dispõe a arriscar. Claro, há alguns equívocos, como a tentativa de promover rupturas dramáticas com o enxerto de partituras de movimento. No todo, porém, Ivanov é mais uma prova de que o teatro pode sempre mais quando se questiona e se reinventa.

Impressões e reflexões de Laís Alba Rossas Mota

23 jun
Hoje reassistirei a Ivanov. Quero experimentar, ressistindo, as mesmas e novas sensações.
A peça encantou-me: música, cenário,movimentação dos atores,iluminação,projeção em tela,marcação, ritmo, linguagem falada pela boca e pelo corpo.
De tal maneira fiquei “tomada” que, durante a semana, por diversas vezes surpreendi-me lá, no local mesmo, na arquibancada, mesmo desconfortável,revendo cenas.
Não sou crítica de teatro, logo se vê, logo se sabe, pois não utilizo a linguagem adequada, mas sou expectadora que sente, ou melhor, que se deixa impregnar de sentimentos vários que a peça deseja, ou não, passar para quem assiste.Estou desejando transmitir ao grupo todo, e a cada um, parabéns pelo trabalho tão bem elaborado. Muitos detalhes, não me passaram desapercebidos. A precisão dos movimentos, a concatenação entre os atores, aquele deixar-se cair da Anna nos braços do médico, do excelente Lvov, foi preciso, foi confiante. O vaso que ela soltou e foi apanhado com precisão,os esbarramentos dos atores, uns nos outros,em momentos de tensão,,fazendo o corpo falar onde as palavras não diziam tudo.Acontece em todo discurso, é verdade,mas nem sempre essa falta é compensada pelo corpo.Os silêncios foram também colocados com exatidão, deixando a imaginação flutuar e se surpreender com a fala sequinte.O cenário, ideia fabulosa.Um simples movimentar de portas ou de cortinas fazendo mudar o ambiente. Uma poltrona, uma mesa, alguns livros, um mesinha baixa -salvo engano- foi tudo o que se fez necessário para diversos ambientes. Ah, o vaso e as flores, não esquecê-los. Disseram muito. Falaram a Anna que Sasha esteve ali. E talvez tenha sido mesmo a intensão de Sasha quando levou as flores: Olha Anna, eu estive aqui com seu marido, ou não. Quis apenas demonstrar seu carinho seu amor por Ivanov tão confuso.derrotado diante da perda de sua identidade , do desmoronamento de sua floresta – acusado pelos sons de derrubada. Aqui um registro do sublime da música. Conseguiu nos transportar a lugares múltiplos, ora sons suaves como uma sonata, ora deixando-nos levar a um estado de tensão, ora nos assustando com o ruído de derrubadas das árvores.Há tanta coisa a dizer que me perco. Tudo me fez ter vontade de voltar e reassistir.Quero rever , “ressentir” a fala de cada personagem. cada qual com sua mensagem e todos muito bem postos em seus papéis.Começando pelo começo: Ivanov representa muito bem o homem confuso, angustiado, derrubado que não consegue sequer ouvir a voz a cada momento mais enfática de Lvov querendo mostrar-lhe a necessidade urgente de dar atenção a sua mulher Anna, gravemente enferma. Ivanov na, rtoda ouve, nada vê além de si próprio, seus problemas, suas frustações, seu desespero diante do fracasso. Não antevê possibilidade de enfrentamento e superação de obstáculos.Encontra fuga na bebida e nos braços de Sasha. Seu amigo brincalhão “bon vivant” muito bem interpretado, não consegue animá-lo e até causa-lhe incômodo., desconforto.  Anna nos passa a ideia da mulher sofrida, dependente, indulgente que deseja o amor do marido, sabe que não o tem e finge aceitar suas escapadas.O médico é discreto, mas no decorrer das cenas faz-se cada vez mais firme. Vai crescendo sua indignação com o tratamento, ou melhor o não-tratamento que Ivanov dá a Anna.
Ainda não falei das coxias. De suas vozes por vezes misturadas às das cenas principais. De suas ausências -presenças ali no claro-escuro ao lado
A camareira e seu passar lento, estranho, indefinido, mas seguro e preciso.Talvez ,se eu me detivesse pensando e escrevendo outras lembranças e sentimentos surgiriam.Também importa dizer que no final há um longo silêncio um aespécie de estranheza, antes que os aplausos irrompam e rompam o silêncio pensativo que a cena deixou.,  Outros afazeres me chamam e nem tive tempo de elaborar o que escrevo ,o que veio àmente e reolvi dizer. Reassistirei hoje e quero sentir mais. Ivanov está muito bem trabalhada. Dá para ver, sem eforço o quanto de pesquisa e dedicação há por trás da cena. Parabéns.

Laís Alba Rossas Mota

“O que me incomoda é a coisa”, por Danilo Castro.

18 jun
A experiência Ivanov, do Teatro Máquina, pra mim foi uma coisa. Sim, essa é a palavra, por mais boba e bruta que pareça ser, eu repito: Coisa. Quando me vejo diante de uma sensação que não sei explicar, isso me incomoda, então na minha cabeça essa é a palavra que mais se encaixa.Ao me ver diante de um Ivanov caminhando numa linha naturalista, um paradoxo novamente me tomou os pensamentos. Será possível o naturalismo (no sentido mais puro da palavra) no teatro? Penso logo na voz, porque no teatro é preciso se fazer ouvir e na vida cotidiana não se fala projetando a voz para um público. Então é preciso se fechar um pacto: o público ouve o ator projetar e finge que aquilo é normal. Eu não vi isso em Ivanov, que bom. As vozes não são projetadas e o tom da interpretação dos atores acaba sendo trilhado num caminho cada vez mais sutil e natural. Eu quis estar mais perto porque o espetáculo me chamou pra dentro dele, pro íntimo daquelas vidas expostas em cena, mas me questionei se ali no fundo da plateia era possível ouvir, porque mesmo de perto, perdi alguns momentos por não conseguir escutar. E não me refiro aos momentos estratégicos em que as vozes baixavam, aumentavam ou se sobrepunham umas sobre as outras, estabelecendo pequenos caos.

Cada vez mais eu venho percebendo que no teatro é preciso de calma para fazer as coisas. Ivanov é assim: uma coisa calma e incômoda, construída por belas imagens tediosas e fascinantes. Como a imagem virginal e vadia de Sasha à beira do casório, ou a imagem de Ivanov afundando na poltrona, ou mesmo as embaraçosas e encantadoras passagens de Gavrila pelas cenas. Sua figura estranha entrecortando o andar da carruagem talvez seja o que mais representa Ivanov, um homem que tilinta como taças de cristal numa bandeja sem nunca cair no chão e se espatifar. É agoniante.

Não há como falar de Ivanov sem evidenciar o trabalho do elenco, que, mesmo com as dificuldades que a proposta traz consigo, desempenha um bom papel e se mostra num caminho direcionado à ascensão, uns mais a frente, outros menos, mas todos na mesma direção. No meio de uma cena, certa vez, em algum ensaio alguém já me disse: “faça somente aquilo que lhe couber”. Os atores de Ivanov são assim, fazem o que lhes é cabível e essencial, na verdade até nos esquecemos dos atores em detrimento das suas personas, não há um esforço para “interpretar”, simplesmente se faz e aquilo já é o suficiente. Ana Luiza Rios, com seu jeito de bailarina bauschiana, é, sem dúvidas, o grande destaque do elenco, seu trabalho se mostra tão crível e maduro que até me gerou uma ansiedade de vê-la novamente em cena cada vez que ela saia, queria ler mais do âmago de Anna, que, mesmo diante de sua bondade doentia e santa, permite-se à explosão, enquanto Ivanov continua estático à beira do abismo sem nunca ter coragem de pular.

Para completar a Coisa, as portas posicionadas na minha frente me geraram uma raiva por não conseguir ver alguns momentos como eu queria e ao mesmo tempo me instigaram por me permitir presenciar cenas através das brechas entre elas. É interessante perceber que cada um, em determinado momento, dependendo da posição em que se está sentado na plateia, vai ter uma visão exclusiva da Coisa. Foi ali que percebi que eu tive um Ivanov só meu e me senti feliz e egoísta como uma criança comendo algodão doce.

Ivanov é uma Coisa porque é inegável que é um trabalho seguro ao mesmo tempo em que evidencia seu processo inacabado de edificação, afinal o bom teatro é aquele que se permite à mutação. Ivanov é uma Coisa porque é indefinível e me provocou sensações que não me foram cabíveis noutros momentos ou experiências artísticas que já vivi, é realmente estranho. E isso é louvável diante de muitas produções com “encaminhamentos sensitivos” pré-definidos que te levam para uma conclusão fechada e objetivada pela direção. Com o Ivanov eu não sei o que o Teatro Máquina e a Fran Teixeira querem, e essa dúvida é o que me faz escrever agora sem necessidade nenhuma de explicação, apenas de me expor. Talvez com o tempo eu me resolva diante dos meus questionamentos pós-Ivanovianos, porque, como um espetáculo, amanhã também não serei mais o mesmo. A Coisa-Ivanov está em transformação, oscilando entre comum da vida e a poesia.

Danilo Castro
17/06/2011
* Visite o blog do Danilo aqui.

“Palavras informais” sobre Ivánov.

18 jun

“Queridos, como estão?

Já vou me desculpando pela intimidade e já pedindo mais abertura de todos, para as palavras informais que trago aqui, escritas sem cuidados e definidas pelo impulso da minha presença e participação como público, na construção de IVANOV.

Conheci o trabalho do Teatro Máquina nos espetáculos “O Cantil” e ” Répéter” , no pouco tempo que moro aqui em Fortaleza. Fiquei impressionada, não pela habilidade dos atores, mas pela possibilidade de fazer um teatro tão forte numa construção tão sincera, tão disponível à construção de sentidos, tão racional e ambiguamente dramático na decisão de ser gesto exposto, sem justificativas.
Permita-me dizer que em IVANOV- sem desejar aqui traçar um linha comparativa, mas uma linha de continuidade, de processo, percebo uma construção estética que possui duas setas: a primeira, é feita de luz, cenários grandes, música que faz par com texto, o texto em si, os objetos, a projeção. Essa engenharia me faz ter uma dúvida referente à montagem, que é ” porque o Teatro Máquina, não entrou nesse projeto para transformar esse texto, mas está confirmando, deixando cada vez mais óbvio esse drama louco e longo (desculpe a expressão)?” A segunda, aponta o corpo, o ator, o tempo dilatado, o que é sutil no movimento, na força, na relação. As duas setas pouco se cruzam, quando existe a tentativa do encontro, os significados demasiadamente determinados, me impedem de ver o que não está ali, de ficcionar.
Algumas cenas, oferecem o crescimento, permitem a quem assiste, acordar para a peça. Os instantes mais sorridentes tornam a dramaturgia mais deslinear.

Não sei bem o que comentar, mas mesmo tendo gostado do espetáculo, percebo a necessidade de transformação da montagem, acredito muito nos atores, mas não sei se eles sabem onde estão.”

Francisca Limar – Cinema e Audiovisual UFC
07/06/2011


 

“PARA AMAR TCHÉKHOV ou E NADA MAIS INTERESSA”, por Silvero Pereira

6 jun

A primeira imagem é limpa e depressiva, uma trilha (Ayrton Pessoa Bob) capaz de provocar imersão e estranheza, alías este é o espaço, faz ter a sensação de que estamos diante de uma atmosfera tipo filmes Lars Von Trier. Depressão é o que se constata em todos os atores-personagens, seja na respiração, nas partituras corporais, nos olhos (Nossa! Que olhos), na voz, e na cor da arte. Edvaldo Batista está magnífico, sua naturalidade neste processo é provocada por uma consciência de todas as suas ações e de todos os seus sentidos na cena. Ana Luiza Rios é hipnotizante, bela e submersa em sua delicada e apaixonada Anna, seus olhos são uma mistura de amor, perda, angústia e crença. Bruno Lobo é uma explosão contida, um vulcão em erupção, mas o que vemos por fora é o quente pulsante e não a lava, está tudo dentro, prestes a explodir e são seus olhos que cospem esse calor, uma energia em cena invejável na certeza de que as vezes o mínimo supera o máximo do ator. Loreta Dialla é outro exemplo de simplicidade e força, sua presença é tão necessária, tão provocante que nos deixa constrangidos, seu simples tremor da bandeja de copos diz mais que mil palavras. Aline Silva tem, além de sua esplêndida beleza, um corpo e um sentido para a cena como se Tchékhov fosse sua área de conforto. Já Levy Mota deixa a desejar, sua presença é desconfortável, seus gestos são imprecisos e marcados, o que faz destacá-lo da unidade de interpretação e preparação corporal do restante do elenco. Frederico Teixeira constrói um cenário, que apesar da madeira, tem uma imagem leve, talvez provocada pelas cortinas brancas e transparentes e pelas rodas de acrílico que permitem vê-lo deslizar sem esforço, e pelo cru, a madeira trabalhada, além da floresta em um tom melancólico. A direção é clean e precisa, Fran Teixeira desenha uma movimentação que explora tanto o espaço da cena como a cena-bastidor, além de fazer o cenário ser dramaturgia, ele dialoga com Tchékhov, com o MAQUINA e com o espectador. Não existe marcação, mas sim uma apropriação de idéias (Anna tirando as folhas secas de cima da mesa). A direção sabe não se anular, mas se enraizar nos atores para a partir deles ter espaço no espetáculo. A luz (Walter Façanha) é signo, é espaço, é texto. O tempo é imperceptível, pois estamos ali para viver e não para apreciar, e isso é quase inacreditável. O tédio é provocado pela vida e não pela arte.

O Grupo de Teatro Máquina mostra um novo caminho tomado. É nítido seu crescimento profissional na produção, na técnica, no trabalho do ator, na sua linguagem. Isso, provavelmente, é resultado da possibilidade, e da importância, de projetos de manutenção, de sede própria, de patrocínio e de intercâmbio.

Silvero Pereira
05/06/2011
* Visite o blog do Silvero aqui.


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